sábado, 16 de janeiro de 2010

O preço da alma - A semente

Enoá, desde cedo, apresentou um comportamento bastante introspectivo, nunca foi de falar muito ou de ter amizades. Andava curvada, meio corcunda, usava muitas roupas, e um cabelo longo que escondia seu rosto, na tentativa de não ser notada. Mas sempre achava que todos estavam olhando para ela, zombando.
Na sala de aula, nem sequer conseguia dizer que estava presente, quando a professora fazia a chamada da turma. Isso, no início, foi um grande problema...
Logo que Enoá completou a idade certa para ir à escola, seus pais acharam que essa seria uma oportunidade dela ter contato com outras crianças e, finalmente, se abrir um pouco mais. Como ela era filha única, e na vizinhança não existiam crianças de sua idade, ela cresceu solitária.
Helene e Oscar estavam muito esperançosos com o ingresso da filha na escola. Trataram de fazer sua matrícula, comprar seus livros, materiais necessários e seu fardamento, enquanto Enoá passava o dia com sua vó. O casal estava em êxtase, sua única filhinha estava crescendo e amanhã já seria o seu primeiro dia de aula.
Helene era escritora e quase nunca saía pra rua, por motivos de trabalho, tinha um escritório só seu, em casa, e passava grande parte de seu dia redigindo suas obras. Escreveu quatro livros de grande repercussão, vendendo inúmeros exemplares. Nacionalmente, era uma escritora muito respeitada pela academia e sempre recebia boas críticas da mídia. Ela tinha um estilo próprio de escrever, aguçava o desejo do leitor, prendendo-o e só lhe devolvendo o sossego no desfecho do seu livro.
Quando Enoá nasceu, ela deixou sua literatura, um pouco, para aproveitar a maternidade, ao máximo. Uma experiência realmente mágica, o casal coruja registrava tudo, fosse em pequenos filmes caseiros, ou em fotografias, nada passava despercebido.

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