Naquela quinta-feira chuvosa, havia algo de diferente de como os ventos estavam soando. Era o motivo perfeito para que os fantasmas das lembranças e das especulações começassem a rodear a mente, por hora vazia, de Laura...
A menina, de pele clara e de ondulados cabelos castanhos, olhos misteriosos e convidativos, lábios carnudos, com seus 11 anos de idade, jogava para o alto uma moeda de 5 centavos de euros, sua moeda da sorte, para saber se aquela enfadonha espera teria sucesso ao seu final, ou seria mais uma vez frustada.
Já haviam se passado duas horas, e a garotinha acabou adormecendo, perto da janela de vidro, que dava para o jardim. Sonhava que estava procurando alguma coisa, ou alguém, era um caminho bonito e solitário, mas que não tinha fim, ou definição. Ela apenas, caminhava e observava tudo ao redor, e não havia visto nada mais lindo, tratava-se de uma natureza exuberante, viva, virgem e selvagem. Laura não sentia medo, o único sentimento que a tomava era a ansiedade de buscar, mesmo que não soubesse o que fosse, isso era o que a movia. A caminhada era ininterrupta e os obstáculos naturais aumentavam a cada avanço, até que viu um grande elefante com sua tromba mergulhada na beira de um lago, e ficou ali imóvel, a observar a fascinante cena. O animal enchia a tromba de água e se banhava espirrando todo o liquido armazenado para cima, como uma mangueira de jato forte e espalhado. Um verdadeiro espetáculo que fez a menina perder a noção e esquecer que ainda estava procurando, até que desse tempo suficiente para que o elefante a notasse e se incomodasse com a sua presença, correndo barulhento e violentamente, em sua direção.
Laura viu o animal vindo ao seu encontro, e começou a correr também, num disparate, a corrida não tinha fim, e já corria não mais com suas pernas, ou respirando por seus pulmões, mas com o seu instinto de sobrevivência. O animal era muito grande e estava muito irritado, a menina não sabia o porquê, o que acontecia era que o bicho estava na época do acasalamento e nesse período o seu organismo aumenta a produção de testosterona que o leva a ficar extremamente agressivo, e há inúmeros casos de mortes causadas por elefantes todos os anos em épocas férteis da espécie. Ele veio chegando mais perto, e o som de sua tromba já parecia mais uma sirene gasguita, cada vez mais alta, cada vez mais rente. A menina caiu e o elefante se elevou para pisoteá-la.
- Laurinhaaaaa! Seu pai chegou! - Disse a mãe da menina.
A garota acordou atordoada, no chão, totalmente encharcada de suor, e percebeu que o barulho do elefante era a busina do carro do pai. E, que sua moeda da sorte havia acertado, mais uma vez.

interessante!
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